terça-feira, 29 de janeiro de 2013

a resposta do livreiro

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Eu sou o Livreiro de Cabul é o tão esperado depoimento do protagonista que a jornalista norueguesa descreveu de forma tão polêmica em seu livro-êxito. Aqui esse homem se mostra insultado, traído, e lamenta o imenso enganoo de uma interpretação que se equivoca na essência, culpando-o com gravidade, quando cada um de seus atos - justifica - é ditatado pela realidade que o curcunda e à qual ele não pode escapar.

Se você se lembra do livro O Livreiro de Cabul, que postei aqui a minha resenha, então este livro vai lhe interessar muito. Asne Seierstad escreveu o primeiro livro, e pintou um quadro revoltante do livreiro Shah Muhmmad Rais, que em seu livro era chamado Sultan Khan, e esse quadro que ela pintou foi acolhido por meio mundo, e todos se encolerizaram com o que estavam lendo, entretanto, neste livro, Shah Muhammad explica alguns, não todos, os atos que Seierstad descreveu no primeiro livro.

Shah Muhmmad narra o seu lado da história adotando figuras da mitologia da Noruega, e irônicamente, os dois trolls noruegueses que acompanham o livreiro vão até ele porque o rei dos trolls quer justiça a respeito da polêmica gerada pelo livro de Seierstad, valendo-se dessa chance de contar a sua versão, o livreiro conduz os trolls até Cabul, e lá mostra a eles cada um dos fatos, e revela detalhes que Seierstad não revelou ou deixou mal explicado em seu livro. Pessoalmente achei que o final deixou um pouco a desejar, mas sou o tipo de pessoa que quer que o vilão seja derrotado em uma batalha fantástica no fim da história, mas este é um livro sem heróis ou vilões, sem mocinhos ou bandidos, apenas tive em mãos o relato de um pai de família que abriu a sua casa para uma estrangeira e se viu convertido em um monstro para o resto do mundo... como disse, não tem mocinho ou bandido nessa história, pois é um livro real, retratando pessoas e fatos reais, aos olhos de alguém real que sofreu por uma coisa que pode/ ou não ser uma mentira.

Este é um exemplo perfeito para que fique entendido que com um punhado de palavras, podemos mudar o mundo, ou estragá-lo ainda mais do que já o estragamos... Vale a pena ler, eu recomendo.

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